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Scrum: Product Backlog e Mapas Mentais

Há muitos vídeos e textos, disponíveis na web, que podem dar a impressão de que o uso de metodologias ágeis, em especial o Scrum, é a coisa mais fácil do mundo. Comecei a escrever sobre o Scrum em 2006, sempre procurando expor práticas que aprendi, utilizei e, por vezes, adaptei. Descobri, ao longo de minha aprendizagem, que uma vez implantada a cultura do Scrum tudo é, realmente, fácil, desde que não se deixe a peteca cair.

Mas antes da implantação? Como começar a criar a cultura de agilidade no planejamento estratégico de uma empresa e na gestão de seus projetos? Não há bala de prata, claro. Os lobisomens são todos diferentes.

Algumas empresas fornecedoras e muitas das consumidoras já não aguentam mais o Grande Contrato, aquele que define qual será o sistema que estará pronto para o uso daqui a dois anos, amarrado aos requisitos de hoje e que, em suma, não será útil para muita coisa quando for entregue. Empresas e seus clientes, assim como tecnologias, mudam. Planos e sistemas devem ter a agilidade para acompanhar as mudanças, não para servirem de obstáculos a elas.

Mas as empresas também já estão fartas de promessas feitas por consultores (ou consultorias) que, de tempos em tempos, apresentam uma bala de prata que deveria resolver problemas de planejamento, desenvolvimento, contratações. Em alguns casos o Scrum, em conjunto ou não com outros métodos ágeis, foi apresentado desta forma. Aí não faltam os detratores que digam que o Scrum não funciona para este ou aquele tipo ou tamanho de projeto, que sistemas desenvolvidos com métodos ágeis padecem de documentação e outras mentiras de maior ou menor tamanho.

O Scrum requer pequenas mágicas essenciais para funcionar bem. Todas elas estão descritas na clássica apresentação do Mike Cohn, "Uma Introdução ao Scrum". A original e minha tradução podem ser obtidas neste link. Pode ser mais interessante, porém, não dar nome às mágicas na hora em que você for introduzir o Scrum em uma empresa ou grupo de desenvolvimento. Interessantemente, há um nome para essa tática de introdução camuflada do Scrum: Stealth Scrum!

Um artigo bem recente do Scrum Alliance (com vários links que valem a pena ser seguidos) sugere o uso de mapas mentais para a criação de um dos artefatos mais importantes do Scrum: o Product Backlog. O bacana é que muita gente já utiliza mapas mentais como artefatos para o planejamento de qualquer coisa e, assim, uma lista priorizada com o que se espera de resultado de um projeto, ou itens que irão compor um sistema ou produto, podem brotar a partir de um mapa mental. Ninguém precisa usar o jargão do Scrum (e até aí, nenhum jargão) para criar aquilo que nós chamaremos, não na frente dos outros, de Product Backlog.

Vou usar como exemplo o "Portal Íbero-Americano de Colaboração e Desenvolvimento Tecnológico" que descrevi, sucintamente, no quarto artigo da série Scrum, a ordem nascida do Caos, transformando os requisitos do projeto em um mapa mental (abaixo).


Crie seu próprio mapa mental no MindMeister.
(Caso o mapa mental acima não abra em seu navegador, você pode visualizá-lo aqui).

Note como a discussão sobre o que será o projeto fica bem mais "visível" com o uso do mapa mental. Cada um dos itens de trabalho pode ainda ser mais detalhado e facilmente expandido. Com o mapa exposto para a equipe de projeto e seus patrocinadores fica fácil de, olhando cada ramo do mapa, priorizar as tarefas usando, por exemplo, o poker do planejamento ou qualquer outra técnica que você preferir.

Priorizadas as tarefas (você têm seu Product Backlog e nem falou nisso) você as divide em fases semanais (seus Sprints) buscando garantir que o esforço em cada semana será dividido da maneira mais uniforme possível. No caso do surgimento de uma nova tarefa ou da necessidade de repriorização, volte ao mapa mental. Através dele será fácil mostrar que uma nova tarefa pode impactar o projeto como um todo, incluindo o tempo para a sua conclusão.

Para conhecer mais sobre mapas mentais, comece pelos excelentes materiais (incluindo vídeos) produzidos pelo Professor Walther Hermann.

Existem ótimas ferramentas livres para trabalhar com mapas mentais. A que eu mais gosto é o XMind. Há boas opções também de ferramentas para mapas mentais na nuvem. Minha preferida é o MindMeister

Muito mais sobre Scrum.

Publicado originalmente no Dicas-L.



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